Jovens Pelo Sim

Lista de Mandatári@s

Manifesto

A criminalização do aborto condena todos os anos milhares de mulheres a um caminho de clandestinidade, a que se associam perigos graves para a sua vida, saúde física e psíquica. É um flagelo que afecta em particular jovens e adolescentes. Esta realidade torna indispensável intervir activamente no processo de alteração da lei actual, mobilizando a juventude portuguesa para a participação cívica no referendo que se avizinha e assegurando uma discussão alargada e esclarecida das vantagens da despenalização do recurso ao aborto.

Entendemos, em primeiro lugar, que o debate na Sociedade Portuguesa, particularmente entre as camadas mais jovens da população, se tem revelado consensual nos últimos anos, na recusa em sentar as mulheres que recorreram a um aborto clandestino no banco dos réus e, na recusa em enviá-las para a prisão. A lei criminalizadora que temos continua, infelizmente, no caminho da estigmatização, sujeitando-as à humilhação pública e à devassa das suas vidas privadas, que poderá conduzir a uma pena de prisão de até 3 anos.

Em segundo lugar, a lei actual é ineficaz em dar resposta ao problema do aborto clandestino: as estimativas quanto ao número de abortos clandestinos e realizados anualmente em Portugal apontam para números na casa dos 20 mil. A realização de abortos clandestinos fora da segurança dos estabelecimentos de saúde retira à mulher o direito a uma decisão reflectida e acompanhada, colocando em perigo a sua saúde física e psicológica, conduzindo em muitos casos à sua morte.

A Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres afirmou, já em 1995, com clareza que “o aborto em condições precárias põe em perigo a vida de um grande número de mulheres e representa um grave problema de saúde pública, dado que são as mulheres mais pobres e as jovens que correm mais riscos”. São, pois, estas as mulheres e jovens que são empurradas para as redes de aborto clandestino sem condições e para o aborto auto-infligido, uma vez que não têm possibilidade de recorrer a intervenções em segurança no estrangeiro.

Finalmente, acreditamos também que é indispensável adoptar uma visão integrada da saúde sexual e reprodutiva, que responda aos problemas que estão na origem da necessidade de uma interrupção de uma gravidez indesejada. Sendo impossível assegurar a infalibilidade dos meios de contracepção, a possibilidade de interromper uma gravidez em condições de segurança e no quadro da legalidade, em estabelecimentos de saúde devidamente autorizados, é uma exigência de saúde pública. Para além disso, permite acompanhar e integrar no sistema de planeamento familiar todos aqueles que não tiveram acesso à contracepção e a uma educação sexual informada e responsável, evitando a ocorrência futura de gravidezes indesejadas. Esta é uma solução que sabemos ter conduzido a um menor número de abortos no caso dos países europeus que por ela optaram.

Cientes de que a actual lei afecta de um modo muito particular a juventude portuguesa, os/as signatários deste documento, jovens e associações juvenis, estão confiantes de que é também às jovens e aos jovens que cabe dar um contributo determinante para assegurar que Portugal ofereça finalmente uma resposta progressista e moderna para o problema. É com esta convicção que apelamos ao voto no SIM, pela despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.

18 Comments Add your own

  • 1. Ricardo Barata  |  January 12, 2007 at 4:54 pm

    Sou contra o aborto, por isso vou votar SIM.

    Porquê?

    Porque não gosto de pôr a cabeça na areia. O aborto é contra-natura, até pode ser criminoso, mas acima de tudo é um problema, e o pior cego é o que não quer ver.

    Se continuarmos a penalizar quem o pratica, continuaremos a ignorar as causas e consequências do mesmo, permitindo que o problema se arraste.

    Para mim o aborto não é só uma questão do direito à vida, é um problema social, e ao ignorar o problema só iremos continuar a degradar a nossa sociedade.

    Votarei sim porque:

    – Sendo crime, os Abortos continuaram a acontecer clandestinamente (é esta a situação actual);
    – Acontecendo Abortos de forma clandestina, o Estado não consegue identificar os motivos que levam Mulheres a Abortar;
    – Sem identificar os motivos que levam as Mulheres a Abortar, não é possível estabelecer politicas que permitam corrigir esta tendência de forma eficiente;
    – Não me sinto no direito de julgar a “correcção” um acto que pode não ter sido voluntário;
    – Uma Mulher que Aborta como meio de contracepção não precisa de um julgamento, precisa de ajuda psicológica;
    – Porque acredito que concordar com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, não é aceitar o Aborto de forma leviana;
    – E porque votar “NÃO” é deixar as coisas como estão.

    ” Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes …”
    Albert Einstein

    “Acceptance is not submission; it is acknowledgment of the facts of a situation, then deciding what you’re going to do about it.”
    Kathleen Casey Theisen (Socióloga Norte Americana)

    “Todos os crimes são uma espécie de doença e devem ser tratados como tal”
    Mahatma Gandhi

    Reply
  • 2. Filipa Ferro  |  January 17, 2007 at 4:39 pm

    O votar “Sim” mostra que somos efectivamente uma sociedade evoluída. O votar “Não” mostra que a diferença entre Portugal e os países Muçulmanos incide no facto das mulheres lá andarem de burka porque querem!

    Reply
  • 3. Afonso  |  January 21, 2007 at 10:36 pm

    Escrevo porque não consigo ficar mais tempo calado. Escrevo porque não gosto do que vejo, porque magoa sentir-me Português e principalmente porque a natureza do meu discurso idealista e existencial faz de mim uma pessoa minoritária e independente. Uma intervenção pessoal, diria. E depois?
    Escrevo porque não sei em que espécie de apatia canónica mergulharam alguns de nós. Qual o interesse de tanto discurso patético e gratuito? O discurso de quem, pelo não, tudo invoca, até as amarguras de uma linguagem secularizada para leigo mergulhar, como se de uma tertúlia imaginada à volta da fogueira se tratasse, com a figura do menino ao centro. E atrás dele alguém fala, dizem os entendidos, os mesmos que carregam os mistérios da vida sagrada nos jardins do Vaticano, os mesmos que com rituais rigorosos e astutos vão vivendo a rotina luxuriante da verdade concebida. Os mesmos que se propõem continuamente a aceitar a desgraça alheia pondo em causa o auxílio de contraceptivos. Porque todos os dias morrem milhares de crianças vitimadas pela sida e tudo o que importa é o paradigma anacrónico com sede no Vaticano. Porque ainda há quem acredite que é a rezar que o Mundo vai lá, que as pessoas deixarão de morrer lá fora. Convido-os a despir as batinas e a ver o Mundo do lado de fora, para lá dos muros de pedra fria. Façam-se cidadãos comuns. Vá, se têm coragem, enfrentem as vidas anónimas que lá fora rezam e sofrem mais e mais. Perguntem a quem passa o dia à porta de uma grande superfície comercial, alguém que exaspere e procure por comida… perguntem-lhe se a vida é assim tão digna na noite gelada! E é ver depois a laicização negligenciada, e a angústia que crescia enquanto brincava com o meu primo, a certeza de saber que não me bastava apagar a televisão para calar o bucólico vicioso, convenhamos. Era pedido um santo dia e eis que me deparei com o primeiro acto de uma campanha pútrida que aos primeiros segundos me deu a volta ao estômago. Passaram-se dias e a aflição cresceu, na verdade, continua a crescer. Não posso deixar de lhes atribuir esse efeito. Porque só monstros poderão misturar questões de saúde-pública com interesses de liberalismo económico. É ligar a televisão e vê-los a questionar opiniões de magistrados. E dói saber que se trata dos mesmos que ao longo de anos põem em causa políticas de previdência social e que roubam às mulheres direitos adquiridos. Dizem que são pela vida os hipócritas que estão abertos ao envio de soldados para guerras que eles próprios ajudam a fomentar, em cimeiras de ilhéu e fotografias de cortinado. Os mesmos que não questionam voos clandestinos da super-potência económica, apenas porque lhes dá jeito, apenas porque lá para os lados do Eufrates a vida é vista de uma forma diferente, argumentam eles. E para onde irão as pessoas sujeitas a esse mero aspecto aleatório que é escolher alguém e rotulá-lo de assassino, apenas porque sim. Como serão tratadas? Far-se-á jus à tal suposta dignidade sacramental da vida humana? Por isso mesmo não me venham esses senhores/senhoras vulgares, no antro da sua imoralidade autista, questionar, e mais importante que tudo, criminalizar as mulheres por um acto que a elas lhes diz respeito. Vamos continuar a propor o aborto clandestino e milionário de vão de escada? Ou talvez a decisão plutocrata de abortar em Espanha? Londres? É urgente mudar, sabias? Deixemo-nos de hipocrisia. Façamos justiça, por um país mais digno. Sim.

    Reply
  • 4. Gustavo Gama  |  January 21, 2007 at 11:55 pm

    Também sou um jovem de 19 anos e estou indeciso. Mas quando vejo que se quer entrar na desresponsabilzação e fazer abortos porque sim não concordo.
    Um aborto é algo muito sério e fazê-lo só em casos muito extremos os quais para mim são os suficientes os que estão presentes na lei.
    Gostaria de acreditar que votando SIM os portugueses teriam consciencia do que fariam e não abandalhavam a situação. As mulheres hoje em dia só engravidam se quiserem, esta é a realidade. Não vivemos no séc. 19 ! Se há responsabilidade para se ter relações sexuais há que ter responsabilidade para aceitar as consequências que daí adevêm.
    É verdade que a lei actualmente não funciona, mas também há que lembrar que votando SIM, às 10 semanas e 1 dia já se pode ser penalizado pela prática do aborto.

    Passem pelo meu blog onde irei diariamente fazer uma crónica sobre a IVG nas mais variadas perspectivas !

    Reply
  • 5. Gustavo Gama  |  January 22, 2007 at 12:09 am

    O meu blog -» actualidade-presente.blogspot.com

    Reply
  • 6. José Cevada  |  January 22, 2007 at 4:40 pm

    Sim…à LIBERDADE de escolha

    Dia 11 de Fevereiro todos nós vamos ser chamados às urnas, vamos ser chamados a pronunciar-nos sobre a justiça de uma mulher que por razões certamente bem dolorosas recorre a um aborto, acarretando assim todo o sofrimento físico e psíquico que tal acto implica, ser, marginalizada, julgada e condenada por isso. Se há, de certo, um grande número de pessoas que ainda encara as mulheres como seres inferiores e incapazes de decidir de uma forma sensata e ponderada, e que é da opinião convicta que as mulheres que de uma forma livre recorrem a um aborto, não passam de umas criminosas cobardes devendo por isso a “sociedade exemplar” em que vivemos escorraçá-las, humilhá-las e marginaliza-las, vai votar não à despenalização do aborto, virando assim a cara aqueles “seres desprezíveis” que muitas vezes perdem a vida no decorrer de abortos clandestinos. Há também um outro grupo de pessoas que não obstante de concordarem, ou não, com o aborto, são da opinião que já é altura da mulher como ser humano e inteligente que é ter a liberdade de tomar essa decisão por ela própria, dado que é a ela que o aborto traz mais sofrimento e angustia, e este grupo de pessoas, nas quais eu tenho o orgulho de me inserir vai votar sim à despenalização do aborto.
    É certo que num mundo perfeito nenhuma mulher encararia o enorme sofrimento com que é “congratulada” ao realizar um aborto como uma hipótese sequer a ter em conta, mas infelizmente o nosso mundo não é , nunca foi , e nunca será perfeito, simplesmente porque nós não somos perfeitos e muito menos o é a sociedade em que vivemos e nenhuma mulher tem culpa disso.
    Qualquer que seja o resultado do referendo de dia 11 de fevereiro, os abortos não vão parar, e todos nós sabemos disso, mas à muitas coisas que podem acabar dia 11 de fevereiro, podem acabar as mortes de mulheres devido à falta de assistência médica no decorrer dos abortos clandestinos, as mulheres que se descobre terem realizado um aborto podem deixar de ser excluídas e ultrajadas por esta sociedade hipócrita e estas mulheres podem ainda ter a liberdade de escolher o seu futuro sem serem humilhadas e perseguidas por isso, deixando assim de “alimentar” o grande negócio em que o aborto clandestino se tornou, por tudo isto espero que todos os que têm o privilégio de poder ir votar neste referendo o façam, pois à uma palavra que está em causa e essa palavra chama-se LIBERDADE…..

    José Figueiredo Cevada

    Reply
  • 7. Marta Costa  |  January 25, 2007 at 12:25 am

    Até posso estar a ser um pouco radical, mas as coisas ou são ou não são! Isto porquê? A lei preve abortos para o caso de mal formação do feto ou no caso de a mulher ter sido violada. Isto leva-me a colocar uma questão: porque tem uma crinça sem qualquer defeciência, mais direito a viver que outra que não tenha as mesmas condições? Então isto também é crime, pior é discriminação! Deixemos-nos de falsos puritanismos pois todos nós sabemos que ninguém está disposto a ceder a um futuro promissor, em nome de uma futura vida!
    Não estou de todo a dizer que é certo ou errado, simplesmente acho que isto é uma decisão que cada casal tem de tomar e não pode ser o país a decidir o futuro de inúmeras pessoas.

    Reply
  • 8. André Barreiros  |  January 25, 2007 at 2:12 pm

    O Desejo de ser mãe

    A propósito do Sim ou Não do próximo dia 11 surgiu-me uma reflexão que me parece ausente do amplo e inteligente discurso dos apoiantes da remodelação da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Trata-se do Direito a Ser Desejado. Tentarei explicar: Penso que, principalmente depois da Revolução Francesa, as sociedades reconheceram o direito aos homens de decidirem o que querem fazer da sua vida. Mais, que todos nascemos iguais e que à partida todos temos os mesmos direitos.

    Não me parece difícil de aceitar que uma criança que nasça fruto de uma gravidez indesejada tenha à partida um ou vários handicaps relativamente a uma outra que nasceu com pai e mãe concordantes e ávidos de lhe prestar toda a atenção do mundo. Podemos ir mais longe, até que ponto a ausência materna do desejo de estar grávida poderá influenciar a vida intra-uterina do feto e formação emocional da futura família?

    Como classificar então uma sociedade que obriga uma mulher a ser mãe contra a sua vontade. E que consequência pode essa obrigação ter, quer no feto quer na potencial criança.

    Neste momento é justo afirmar que contribuímos activamente para uma sociedade mais desigual, quando obrigamos uma vida a crescer e desenvolver-se num ambiente hostil, sem meios de subsistência, sem amor, sem real desejo da mãe, não obstante toda a ajuda que lhe possa ser prestada.

    Como responder ao adolescente quando ele revoltado disser “Eu não pedi para nascer”. Pede-se responsabilidades aos pais e a mãe confessa: “Eu não queria este filho”.

    A realidade é que, por muito a que possamos criar meios de apoio às crianças abandonados ou simplesmente negligenciadas, nunca poderemos substituir o desejo da progenitora durante a gravidez.

    Actualmente vivemos no reino da Utopia e é apenas isso que o Não preconiza e irresponsavelmente quer manter. “Venham a mim a criancinhas…” qual desmiolado revolucionário da esquerda radical que entrega o poder à desnorteada massa popular.

    E a questão torna-se mais simples quando nos imaginamos a exigir a todas as mães que eduquem, amem e se responsabilizem pelos seus filhos. Ao votar Sim no dia 11 julgo poder contribuir para uma sociedade mais justa, mais responsável e sã.

    André Barreiros

    Jornalista

    C.P.1338

    Reply
  • 9. Mariana Canotilho  |  January 26, 2007 at 2:35 pm

    Código Penal
    Artigo 140º
    Aborto

    3 – A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.

    Quem vota SIM, vota contra esta lei. Quem vota não, vota a favor da sua manutenção, por muito que argumente que tem pena das mulheres e que acha que não devem ir para a cadeia. Num Estado de direito, as leis são para cumprir e esta, enquanto existir, também deve ser cumprida.

    Sou pelo SIM, neste referendo, em primeiro lugar, porque sou mãe. No anterior votei da mesma maneira, mas agora faço-o com mais convicção. Porque ser mãe é um investimento tão grande a todos os níveis (emocional, físico, financeiro, social, profissional) que não deve ser fruto do acaso. Deve ser uma decisão consciente, pensada. Deve ser algo muito desejado.

    Ter um filho por força da lei, porque aconteceu e não há outra opção, é uma violência. É uma violência para a mãe, mas, acima de tudo, é uma violência para esse filho, cujo destino será ser mal amado e mal cuidado ou enviado para uma instituição qualquer. E eu acredito que todas as crianças deviam ter o direito de nascer com mães e pais que os sonharam, que os desejaram e amaram mesmo antes de existirem.

    O aborto já existe e já está liberalizado. Segundo um estudo muito recente da Associação para o Planeamento da Família (http://www.apf.pt/activ/aborto_portugal.pdf), 14,5% das mulheres em idade fértil já abortaram, percentagem que sobe para 20% se só tivermos em conta aquelas que já engravidaram. Podemos e devemos combater as causa sociais que, muitas vezes, a ele conduzem, mas isso não chega. Porque há mulheres que, mesmo tendo as necessidades mais básicas asseguradas, decidem interromper a gravidez. Por muitas razões. Razões que são delas, que são válidas e suficientes para elas. Talvez não fossem suficientes para mim. Mas eu não estou no lugar delas, pelo que nunca saberei. Resta-me decidir se acho que elas devem ser penalizadas pela decisão que tomam, mesmo que eu não a apoie. Acho que não. Por isso, voto SIM.

    O aborto legal, em estabelecimentos de saúde autorizados, permite aconselhar e ajudar as mulheres que abortam, e indicar-lhes outros caminhos. Por outras palavras, permite impedir muitos abortos. Em Itália, onde vivi, há uma consulta prévia com um psicólogo que procura entender os motivos da decisão e informa a mulher (ou o casal) dos apoios existentes – financeiros, legais, de assistência social – que podem ajudar a ultrapassar as dificuldades que levam à decisão de abortar. Tão diferente do aborto em consultórios escondidos, em que ninguém faz perguntas, nem oferece apoios, não é? Em Itália, o aborto tem vindo a diminuir sistematicamente, desde 1982. Cá não sabemos, porque não nos queremos confrontar com os números… Fingimos que não acontece.

    Com a despenalização do aborto até às 10 semanas, o Estado não está a incentivá-lo, nem a promovê-lo. Não está a dizer que é um bem. Pelo contrário. Continua a dizer que é um mal, um mal tão grande que é proibido e punido no restante tempo de gravidez. Apenas se está a dar um período à mulher para, perante uma gravidez indesejada, e ponderadas todas as circunstâncias, fazer uma escolha.

    O aborto é uma decisão difícil. Sempre difícil. Não conheço nenhuma mulher que tenha abortado sem pensar muito, muito, na decisão (e conheço várias que o fizeram). Não conheço nenhuma a quem a lei tenha impedido, apenas mudaram as circunstâncias do acto, conforme o dinheiro disponível.

    Por tudo isto, voto SIM. Porque se deixarmos o não ganhar outra vez, nada mudará, ficará tudo na mesma.

    Reply
  • 10. Tiago  |  January 26, 2007 at 7:09 pm

    Oogene.blogspot.com

    Reply
  • 11. Raquel  |  January 27, 2007 at 12:11 am

    Tenho apenas 16 anos e, infelizmente, não vou poder votar neste referendo… eu sou total e completamente a favor do sim! E não consigo entender como é q há pessoas q fecham os olhos em relação à actualidade tão vil e cruel. Quantas mulheres morrem por ano devido a abortos clandestinos? Ou quantas chegam aos hospitais vítimas (sim, são vítimas de uma sociedade retrógrada…) de abortos mal feitos? Eu acho engraçado uma coisa (várias aliás…) q os defensores do não dizem: a legalização do aborto diminuirá a contracepção…devem pensar q o aborto é algo q se faz assim, como quem vai ali e volta…as mulheres acordam e dizem “ah e tal hoje apetece me fazer um aborto…” vocês defensores do NÃO acreditam sinceramente nisto? E quando dizem que estão a matar uma vida humana, um coração que já bate e não sei o quê (aproveitando assim atingir com uma mentira um público menos informado)…como se os sistemas estivessem já desenvolvidos dentro daquilo a que comummente chamamos feto! E por favor…dizer q os contribuintes vão estar a pagar impostos q canalizarão para o aborto…então quer dizer q também vamos proibir os doentes com cancro de pulmão de fazer operações só porque podiam, de alguma forma, ter evitado a doença não fossem os anos de tabagismo…e teremos então de acabar com as clínicas para toxicodependentes, não?
    Toda gente nasce com o direito à liberdade: liberdade individual, de expressão e de escolha… por favor, metam isto na vossa cabeça.
    E por mim ficava aqui a falar muito mais nao fosse o facto de nao me querer prolongar.

    pelo sim

    Reply
  • 12. BS  |  January 27, 2007 at 11:24 am

    «A criminalização do aborto condena todos os anos milhares de mulheres a um caminho de clandestinidade, a que se associam perigos graves para a sua vida, saúde física e psíquica.»
    E se a prática do aborto se tornar legal, os «perigos graves» desaparecem? Eles (perigos graves) estão ligados à prática do aborto e não ao facto de esta se realizar clandestinamente.

    Reply
  • 13. BS  |  January 27, 2007 at 11:27 am

    «Ter um filho por força da lei, porque aconteceu e não há outra opção, é uma violência.»
    Porque «aconteceu«?! Então a irresponsabilidade dos pais neste “acontecimento” traduz-se na morte da criança? Se não fossem cegos pelo egoísmo, talvez os argumentos fossem diferentes.

    Reply
  • 14. Mariana  |  January 29, 2007 at 11:37 am

    BS:

    1 – Os perigos não desaparecerão totalmente (qualquer intervenção médica comporta riscos), mas diminuirão MUITO, porque todas as mulheres que tomem a decisão de abortar poderão recorrer a estabelecimentos de saúde legalmente autorizados, que assegurem todas as condições de higiene e segurança e prestem a indispensável assistência pós-aborto. O aborto de vão de escada (e ele existe) e o aborto em casa com Citotec ou pior comporta muito mais riscos para a saúde da mulher do que o praticado por um médico, num hospital.

    2 – Aconteceu porque não vivemos numa sociedade perfeita e:
    – a educação sexual e a informação ainda não estão disponíveis para todos; para resultarem, os métodos contraceptivos têm que ser utilizados sem falhas e isso implica bastante mais conhecimento sobre a sua forma de actuação do que muitas mulheres têm.

    – os métodos contraceptivos falham, mesmo quando utilizados correctamente. A pílula perde o efeito quando se tomam alguns antibióticos, quando uma simples indisposição nos fez vomitar, etc. O preservativo rompe-se, o DIU também falha em várias situações.

    – as pessoas não são perfeitas e, às vezes, têm relações sexuais desprotegidas. Acontece a muita gente, durante a sua vida, e a discussão sobre este referendo deve reconhecer este facto. Claro que é argumentável que as pessoas devem assumir as consequências dos seus actos. Eu gosto de acreditar que o faria, mas nunca estive nessa situação. E, assim, é fácil julgar.

    Às 10 semanas existe um feto. Que é uma forma de vida que a lei protege. Que continuará a proteger, depois das 10 semanas, mesmo que o sim ganhe no referendo. Mas que não é uma criança. Se fosse, nunca se permitiria o aborto em caso de violação. A demagogia não ajuda ao debate e os insultos também não.

    Reply
  • 15. Clarisse Galego  |  January 30, 2007 at 1:06 pm

    Vou votar pelo sim.
    Temos que ser nós, os mais jovens a querer mudar, a querer fazer a diferença… Não é correcto que se tenham filhos para que depois se tratem como vemos todos os dias na comunicação social.

    Reply
  • 16. Inês Isabel  |  January 31, 2007 at 12:31 pm

    Sim ao ABORTO e a DESPENALIZAÇÃO da mulher!! na minha opinião acho que deveria ser permitido fazer abortos sem que a mulher fosse penalisada! pk se uma mulher sem condições para sustentar uma criança e mais tarde entregalas para instituições ou deixalas num caixote de lixo! assim n vale a pena ter uma criança!!! ela n iria ser feliz sabendo isso! sou mais uma de tantas outras adolescentes de 13 anos que e a favor do aborto! e que se tivesse o direito e dever de votar votaria sim!! pk o aborto e crime,mas para mim abandonar uma criança num caixote do lixo e um crime mt maior! mas espero que se o sim vencer, que as mulheres potuguesas n usem o aborto como métudo de protecção! K vença o sim!!

    Reply
  • 17. rita  |  February 5, 2007 at 2:04 pm

    Sim pelo direito à opção.
    Sim, porque a gravidez deve ser planeada e desejada.
    Sim, porque os métodos contaceptivos também falham.
    Sim, porque ninguém tem o direito de obrigar uma mulher a levar até ao fim uma gravidez que não deseja.
    E principalmente, Sim pelo fim da hipocrisia…. abortos sempre se fizeram e vão continuar a fazer-se…. quem pode pagar vai a Espanha, quem não pode…. sujeita-se ás condições desumanas, sujeita-se a morrer, sujeita-se a graves problemas fisicos, sujeita-se a ser incriminada e julgada, apenas porque um dia não quis ser mãe.
    A maternidade é um direito, não uma obrigação.

    Reply
  • 18. Lídia Freitas  |  February 7, 2007 at 8:56 pm

    Voto sim porque sou a favor da vida! Sou a favor da vida da mulher, porque acho que uma mulher que decida não ter um filho não deve morrer nem ser punida por isso: o facto de interromper a gravidez já é punição suficiente. Mas sou ainda mais a favor da vida da criança! Votarei sim, porque as crianças devem ser desejadas e devem ter todo o amor e todas as condições indispensáveis ao seu crescimento, para que tenheam uma vida digna!
    Votarei sim porque uma mulher tem o direito de querer ou não ser mãe!
    Votarei sim porque uma criança tem o direito de ser desejada!
    Votarei sim porque nenhum método contraceptivo é 100% eficaz!
    Votarei sim porque sou mulher!
    Em meu nome, em nome das minhas amigas e de todas as mulheres deste país, obrigado por se importarem!!

    Reply

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


%d bloggers like this: