Radar

February 9, 2007 at 10:22 am Leave a comment

Os Médicos Pela Escolha organizaram na quarta-feira um conferência de Imprensa na Sede dos Jovens Pelo Sim. Os relatos foram todos na primeira pessoa: de médicos, psicólogos, assistentes sociais, mulheres que já abortaram. Todos assistiram já, com mais ou menos protagonismo, ao drama do aborto clandestino, e por isso vão votar Sim no próximo domingo.
Os casos falam por si: Catarina teve de ir abortar a Espanha porque as morosidades do processo para que fosse autorizada a abortar num caso de malformação de um feto a atirariam para lá dos prazos legais; Natália, de 21 anos, morreu porque os médicos substimaram o risco para a vida que a sua gravidez significava; tantas, no Bairro do Lagarteiro, puro «território de exclusão», que se não fossem ajudadas pelo Assistente Social (o que lhe valeu uma condenação no julgamento da Maia) «metiam uma agulha no útero e iam morrer nas mãos de habilidosas que fazem desmanchos».
Para além da Lisete, da Maria Teresa, da Ester, da Joana. E de tantas outras cuja morte é silenciada em certidões de óbito tão hipócritas como a lei que temos.
Quarta-feira à noite não foi apenas tempo de denunciar o insuportável; foi também a oportunidade para lembrar o apoio que a Associação para o Planeamento Familiar presta regularmente às mulheres (a quem dá apoio, conselhos e alojamento). E para lembrar o número de vidas já salvas pelos defensores do sim… é que não andamos nisto há oito anos, e é graças ao trabalho de muitos de nós que já não dizemos, como as nossas avós, que fizemos vinte desmanchos a cozinha da Maria-Gorda. Quantos abortos se evitaram com a educação sobre contracepção? E quantos mais se evitarão quando as mulheres se dirigirem, sem medo, a profissionais de saúde que as possam ajudar de facto, sem estarem limitados na sua ética e dedicação por uma lei que os impede de cumprir a sua missão?
Mas este é um referendo de esperança, e por isso Ana Lourenço fechou a conferência com uma história simples: a da Sónia, que foi à Suiça abortar ainda muito jovem. E que regressou, noutro avião, depois de ter conversado, sem medo, com a equipa da Clínica. Sete meses depois nasceu o Nuno. Moral da história: no próximo domingo vamos todos garantir que os finais felizes em Portugal não são só para quem pode apanhar um avião.

Ainda no âmbito dos Médicos Pela Escolha, destacamos o artigo «Ciência, convicções, fraude e dor fetal», de Jorge Sequeiros, geneticista, prof. catedrático, presidente do Colégio de Genética Médica da Ordem dos Médicos e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Já tinhamos suspeitado, no último Prós & Contras, que a Drª Jerónima do Imperial College devia pouco à modéstia; ficamos agora a saber que também não prima pela capacidade (honestidade?) de saber distinguir entre ciência e fraude.

Entry filed under: Estudos, Informações, Radar. Tags: .

As instituições que foram criadas após o referendo de 1998 e o seu «bom» trabalho

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Passa a mensagem!

EM AGENDA
JANTAR 1º ANIVERSÁRIO - 2ª, 11/2, 19h30 Cervejaria Trindade, Lisboa

Cartaz 2 - Movimento Jovens Pelo Sim

SITE DO MOVIMENTO JOVENS PELO SIM
WWW.JOVENSPELOSIM.ORG

CONTRIBUI PARA O NOSSO MOVIMENTO

INSCREVE-TE NA MAILING LIST DE INFORMAÇÕES

EM ANTENA & ARTISTAS PELO SIM

Estatísticas

  • 69,566 hits

Feeds

SIM no Flickr

Vota SIM à despenalização. Get yours at bighugelabs.com/flickr

%d bloggers like this: