Mães Pelo Sim

February 9, 2007 at 2:37 pm Leave a comment

Não sou a favor do aborto, nem conheço ninguém que o seja.
Sou pela vida, sempre fui.
Engravidei pela 1ª vez com 16 anos e fui mãe aos 17. Não fiz um aborto, ao contrário do que a minha família me aconselhou, e ao contrário do que uma professora de religião e moral católica me sugeriu em privado, no mesmo encontro em que me sugeriu deixar a escola para evitar a exposição pública.
Entretanto prossegui com uma gravidez no meu 12º ano, ao mesmo tempo que uma associação de pais de inspiração católica fez um pedido à directora da escola para que eu passasse a estudar à noite, porque achavam que o meu estado era um mau exemplo aos outros alunos…
Se o aborto fosse legal na altura, também não teria abortado. Tenho a certeza disso, porque foi uma decisão tomada em consciência, e apesar de ser uma gravidez não planeada, depressa passou a ser desejada.
Se vos trago aqui este relato tão íntimo é só para ilustrar a hipocrisia que reina por este país fora, onde se quer que as mulheres sejam mãe por castigo, vontade divina ou obrigação, mas não lhes dão qualquer apoio quando querem ser mães «fora do tempo». Uma gravidez na adolescência é uma enorme violência para qualquer mulher. E uma gravidez não desejada traz sérios riscos para o normal desenvolvimento neurológico e psicoafectivo do feto.
Há pouco mais de dois anos conheci uma das muitas mulheres que foi a julgamento pela prática de aborto. Ela estava grávida na altura, de uma gravidez planeada e desejada quando foi acusada pelo ministério público. Passou o vexame de ser arguida com termo de identidade e residência, estando grávida de cerca de 24 semanas. Teve um aborto espontâneo causado por tanta ansiedade e stress, e no resultado dos exames a que foi obriga a submeter-se no ambito da investigação criminal do processo.
Votar Sim não quer dizer que toda a gente passe a abortar «só porque sim». Quer dizer que a mulher que tiver de tomar essa decisão o fará com segurança e dignidade. Legalizar leva as mulheres para os cuidados de saúde, e todos os estudos apontam para uma diminuição drástica da reincidência do aborto quando é feito legalmente nos serviços de saúde, porque as mulheres são aconselhadas e informadas quer acerca das alternativas a um aborto, quer em relação a métodos contraceptivos. Manter a ilegalidade é fazer com que o negócio do aborto clandestino continue a movimentar dinheiro sujo, nas mãos de quem não tem qualquer preocupação moral ou social com as mulheres.
É por isso é que voto Sim: para não impor o meu código de valores morais, religiosos e éticos aos demais, e permitir que cada um tenha a sua própria decisão, de forma respeitada e informada.

Rita Correia, mãe de 4 filhos, Santarém

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