Mães pelo Sim

February 8, 2007 at 11:42 pm 4 comments

Tenho 34 anos, sou mãe de duas meninas e vou votar Sim. Pelo respeito pela liberdade de escolha, pela dignidade da mulher, e por saber na pele o que é fazer um aborto clandestino.
Ser mãe é uma decisão que implica uma grande alteração na nossa vida, uma grande disponibilidade. Na altura, não estava preparada, não tinha as condições mínimas que penso desejáveis para criar um filho e tenho a certeza que fiz a melhor opção, apesar de toda a dor que acarretou.
O decidir não ser mãe é, no quadro actual, uma decisão dolorosa, solitária e perigosa. Além do mais, quem  já o fez sabe o quão triste, desestruturante e pertubador é fazer um aborto. A depressão que provoca, a lembrança, a sensação de indignidade e de profanação do nosso corpo. Nunca o aborto será usado como método contraceptivo, por estas mesmas razões; a leviandade com que se fala e especula sobre esta hipótese deixa-me aterrada, pela falta de consideração e apreço pela capacidade de uma mulher decidir, em consciência. A ideia subjacente é de que a mulher é uma inconsciente, sem sentimentos e altamente egoísta. 
Não é por egoísmo que se decide fazer um aborto, é por amor, por se desejar o melhor para um filho, e é com grande pesar que tal opção é tomada. A criminalização de tal opção é cruel e desumana. Por uma sociedade mais Humana, pela qualidade de Vida, por Amor, e para que todas os filhos sejam crianças amadas e desejadas, dia 11 de fevereiro: SIM!
 
Lia Nogueira (mãe da Íris, 2 anos e 2 meses e da Jasmim, 1 mês)

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Morrer e calar

4 Comments Add your own

  • 1. Hugo Sampaio  |  February 9, 2007 at 3:53 am

    Eu Voto SIM.
    Voto SIM porque é preciso acabar com o aborto clandestino que coloca em risco a vida e a saúde das mulheres.
    Voto Sim porque a prisão não é solução. As mulheres que, por vontade própria interrompam a gravidez nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, não devem ser punidas, nem levadas para o banco dos reús. Ter a vida devassada numa sala de tribunal, ter de se retratar.
    Voto SIM porque a actual lei é ineficaz. A actual lei remete a mulher para a a clandestinidade.
    Voto SIM para terminar com a perseguição às mulheres e com a humilhação.
    oto Sim porque a lei portuguesa é das mais restritivas da Europa. Portugal precisa de uma lei ponderada, equilibrada e responsável.
    As forças do Não querem manter tudo na mesma. O Não quer continuar com os julgamentos de Aveiro, Maia, Setúbal…o Não quer que as mulheres se dirijam às clinicas ilegais ou a Espanha…

    Dia 11 é FUNDAMENTAL votar SIM.
    Não basta estar pelo Sim…
    É PRECISO IR ÀS URNAS EM FORÇA!!!!
    Votar Sim para mudar a lei e para acabar com o aborto clandestino.

    Reply
  • 2. sandra mendonça  |  February 9, 2007 at 10:08 am

    Tenho uma amiga com 40 anos que nunca conseguiu engravidar. Já
    fez vários tratamentos, fertilizações, etc e sempre sem sucesso.
    Numa discussão acesa sobre o aborto, do qual ela é absolutamente
    contra e eu absolutamente a favor, cheguei á triste conclusão da razão
    que leva alguns portugueses a votarem contra o aborto ou em defesa
    da vida , da liberdade ou o que quer que lhe queiram chamar:
    A HIPOCRISIA!!!
    Passo a explicar:
    Ao justificar a sua opinião, a minha querida amiga, argumentava que
    não estava para pagar ás outras mulheres para fazerem abortos,
    quando ela não conseguia sequer engravidar! Ao que eu argumentei,
    inteligentemente, achei eu, que só voltaria a discutir este assunto com
    ela, no dia em que ela tivesse a generosidade de adoptar uma criança.
    Bem, a sua resposta foi, “Não vou ficar com o lixo que os outros
    deitam fora!“… Ficaram chocados?! Eu também fiquei! Mas não por
    muito tempo… Resolvi dissecar as palavras da minha amiga.
    Ela tinha toda a razão! Era o que mais faltava, a coitada ter que ficar
    com o lixo dos outros! Verdade? Não é nada ético pensar assim, pois não? Pois não!
    Mas agora raciocinem comigo. Não são os portugueses os maiores
    defensores do embrião, do feto, da vida?! Não é tão estranho, então,
    que haja crianças em instituições, abandonadas, com fome, sem
    alguém que as ame incondicionalmente?
    Então, quando saem da barriguinha da mãe, já não são vidas a
    proteger?
    Pois…uma criança dá trabalho, não é? Vamos pedir a esses senhores
    e senhoras por favor que dividam, dinheiro, afecto e tempo, com essas
    vidas que eles lutaram tanto para preservar! Ou será que agora que
    estão fora da barriguinha das mamãs, já são só mesmo, o lixo que os
    outros deitam fora?

    Sandra Mendonça
    mailto:sandrinhamm@gmail.com

    Reply
  • 3. Karla  |  February 9, 2007 at 10:28 am

    O testemunho da Sandra Mendonça deixou-me chocada – ou melhor, a história que ela relata. Enquanto embrião é Vida suprema, depois de nascer é lixo? Santa hipocrisia…

    :(

    Reply
  • 4. lia  |  February 9, 2007 at 12:09 pm

    gostei sinceramente daquilo que dizes..e eu também já senti isso na pele..no dia 11 SIM
    isa

    Reply

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