Mães Pelo Sim

February 6, 2007 at 2:20 pm Leave a comment

Estou grávida de 32 semanas, de uma menina que se vai chamar Alice.
É a minha primeira gravidez. É uma sensação linda! Estou curiosíssima. Como será a sua cara, os seus braços, as pernas, virá saudável?
Ups! Acabo de levar um valente pontapé! A Alice no País das Maravilhas está a esticar uma perna.
Como irá a Alice ver o mundo cá fora? Espero que com alegria, apesar de toda a miséria e tristeza que o mundo carrega. Que seja muito feliz! Que as suas decisões, ao longo da longa vida que lhe desejo, não sejam tão dolorosas como as de tantas mulheres.
Darei o meu melhor para que a minha filha nunca tenha que fazer um aborto. Mas se essa for a sua única solução, que seja bem tratada e nunca humilhada, nem presa!
É que enquanto fui tripulante de ambulância socorri e transportei muitas mulheres, às vezes miúdas, com «hemorragias vaginais», vulgo aborto em evolução. A grande maioria dessas mulheres moravam na Cova da Moura, no Bairro 6 de Maio e no Bairro de Santa Filomena.
Não, elas não iam a Badajoz abortar!
Descobri que o Cytotec (um medicamento utilizado para o tratamento de úlceras gástricas) era comprado a 2000$00 o comprimido, nalguns cafés dos bairros, e que servia para provocar contracções uterinas, de modo a provocar um aborto. Algumas das hemorragias eram tão abundantes que perigavam seriamente a vida daquelas mulheres. Se fossem correctamente atendidas, antes de se auto-medicarem, essas mulheres podiam evitar sérios problemas. As mulheres que transportei abortavam porque não tinham outra solução. Aquilo a que a maioria de nós chama pobreza, para muitas delas é conforto.
O pai do embrião, muitas vezes já feto, nunca esteve presente nos locais para onde era chamada a ambulância. Será que por desprezo, por questões culturais ou irresponsabilidade? Quero acreditar que a maioria não estava porque tinha vergonha. Vergonha da pobreza, vergonha por já ter três filhos e não saber como dar de comer a mais um. Ou vergonha por ter apenas 15 anos e não ser capaz de assumir a peternidade de uma criança.
Por essas e outras razões, há quem diga «na minha barriga mando eu»! Neste momento, quem manda na minha barriga é a Alice! Um bebé muito querido e desejado.
Eu não sou a favor do aborto! O aborto é um problema que deve ser encarado com seriedade. Nem sequer acho que seja uma questão de consciência, porque ninguém faz um aborto porque lhe apetece. No dia 11 devemos optar por uma solução política para o problema… ou continuamos a proibir e penalizar (tapar o sol com a peneira)… ou acabamos com a penalização de um acto já por si tão penalizador para a própria mulher.
Seja qual for a vossa opção política, VOTEM!
O passo seguinte tem de ser a criação de uma verdadeira política de maternidade.

Joana Pereira, Amadora

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Sim, porque a negação do direito a interromper a gravidez não faz desaparecer a sua necessidade Sabias que…

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