Ninguém ganha com o Não

February 5, 2007 at 1:22 pm 5 comments

A 11 de Fevereiro, o povo português será novamente chamado a decidir sobre a criminalização da mulher que decide abortar. Há nove anos ninguém ganhou.
Quem defendeu o Não conseguiu manter a lei que pune as mulheres que recorrem ao aborto, tendo contribuído, na sua maioria involuntariamente, para manter o negócio dos abortos clandestinos. Ninguém, com honestidade intelectual, se arrisca a argumentar que esta decisão terá reduzido o flagelo do aborto em Portugal, nem que o aborto clandestino diminuiu. Agora, e então, é isso que está em causa.
A irresponsável decisão da Assembleia da República ao manter a Lei, em função dos menos dos 48 mil votos que separaram em 1998 o Sim do Não, para além de ter legitimado os miseráveis julgamentos de mulheres que decorreram entretanto, ajudou a veicular um juízo moral punitivo e obscurantista sobre as mulheres que decidem abortar. Ninguém, de boa fé, acredita que esta decisão tenha feito com que alguma mulher, no decorrer dos últimos anos, tenha deixado de abortar em função da manutenção da lei. Contudo o juízo moral que lhe esteve inerente provocou que o flagelo passasse a ser ainda mais silencioso, individual e escondido.
Conforme facilmente se pode constatar, ninguém ganha se o Não tiver mais votos.
Alguém, no seu perfeito juízo, pensará que a decisão de abortar se pode transformar num acto banal, fácil e sem qualquer implicação física e psicológica para as mulheres?
Alguém, no seu perfeito juízo, poderá pensar que o aborto se poderá transformar num acto contraceptivo ou numa moda, conforme argumentam os movimentos pelo Não?
Alguém pensará que desta vez, com a vitória do Não, passará a haver menos mulheres a abortar?
Da primeira vez era jovem, agora sou «pai jovem» pelo SIM.

Tiago Mota Saraiva, Lisboa

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Em Antena: Concerto Artistas Pelo Sim Sim a uma vida desejada

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  • 1. Rui  |  February 5, 2007 at 2:27 pm

    A pergunta do referendo é tendenciosa e revela ser feita por amadores. A hipocrisia reside naqueles que com a capa de despenalização das “coitadas” das mulheres que “estão obrigadas” a praticar “interrupção voluntária da Gravidez” (ocultando a palavra ABORTO) querem de facto liberalizar o aborto baseia-se numa cultura de irresponsabilidade e de profunda ausência de noção da necessidade de defender um dos princípios mais valiosos que é a defesa da vida. Alguns destes defensores do sim são destacados membros da sociedade. Alguns são médicos que querem ganhar protagonismo. Quem sabe se alguns não irão ganhar muito mais “off line” pelo facto de emitirem pareceres favoráveis e eventualmente ilegais sobre o tempo forjado de algumas gravidezes avançada se fazerem passar pelas 10 semanas. Se querem sexo livre, façam-no mas assumas as consequências. Hoje existem tantos meios contraceptivos que só não evita a gravidez que não tem qualquer responsabilidade ou informação. Sou adepto que as mulheres que façam abortos a pedido sejam forçadas pela sociedade a fazer a laqueação de trompas! O problema de abortos de repetição a pedido terminaria! Rui

    Reply
  • 2. Tiago Mota Saraiva  |  February 5, 2007 at 3:46 pm

    Rui, deixe-me dizer-lhe que o seu comentário, para além de não reflectir sobre nenhuma das questões que estão em jogo no dia 11, revela uma enorme ignorância e intolerância, sintetizáveis na frase: “Sou adepto que as mulheres que façam abortos a pedido sejam forçadas pela sociedade a fazer a laqueação de trompas!”.

    Reply
  • 3. jose magalhaes  |  February 5, 2007 at 5:10 pm

    para terminar espero que o nao ganhe pelo menos eu votaria nao porque antes de todos os problemas que a sociadade tenha todas as mentalidades essa a face da outra moeda da democracia o ser humano pode dizer o que pensa sem ofender as outras pessoas directamente apoiar a vida nao é um dever mas uma obrigaçao humana mudar o pais para melhor era o que desejava futuramente porque amo a minha patria mas nao é a seguir o rasto da holanda que o pais vai triunfar apostar na vida é dar rumo a um porto seguro com um futuro risonho

    Reply
  • 4. Nuno Valinhas  |  February 5, 2007 at 8:23 pm

    Apesar de cada um saber porque vai votar, por quais motivos vota numa e não na outra opção, porque considera mais válidos os argumentos de uma parte e não da outra… este “voto” é de alguma forma egoísta.

    Eu tento explicar-me.

    Ocorreu-me as palavras do Eng. Fernando Santos no último Prós e Contras que, justamente, defendeu apenas a SUA opinão, a SUA maneira de pensar, a SUA maneira de ver esta questão, não querendo ligar-se a qualquer movimento do NÃO.

    Mas estará ele, e outros tantos, e TODOS NÓS, afinal… a decidir uma coisa “nossa” (individual, de cada um, apenas respeitante à nossa pessoa) ou estamos a pronunciar-nos e a decidir uma questão que tem que ver com um “grupo restrito de pessoas”, chamado de MULHERES, estas grávidas, e que decidem voluntariamente fazer um aborto pelas razões que na altura acham as mais correctas, independentemente de saber todas as complicações físicas, psíquicas e legais/judiciais/criminais que acarretam essa mesma decisão?

    É aqui que queria chegar.

    Não estamos a escolher o candidato que mais gostamos, o que fala melhor, o que tem melhores ideias, o que é do partido a, b ou c, nem o que é mais apresentável. Não.

    Estamos a decidir algo que vai implicar com todas as mulheres passíveis de engravidarem e poderem tomar uma decisão sem qualquer “pressão” recriminatória por parte de uma lei injusta, cruel e hipócrita.

    Não deveriam ser as mulheres, tal como quando decidem abortar, decidirem também esta questão por elas próprias?

    Que sabe um homem de uma gravidez se não até à parte de que “o” mete, e o tira? Que sabe um homem sobre ter um ser humano dentro do seu corpo? Que sabe um homem sobre não saber o que fazer, de não conseguir ajuda, de não saber para onde se virar e ter de abortar?

    Que sabe um homem sobre o aborto?

    S I M

    por elas.

    por vocês.

    e por todos nós.

    Reply
  • 5. Rui Pedro Nascimento  |  February 7, 2007 at 2:02 pm

    O Tiago já disse quase tudo sobre o comentário do Rui, mas há uma coisa que o Rui disse que não pode ficar perdido no chorrilho retirado de um qualquer manual de ditadura que termina o seu comentário.

    Diz o Rui:“Se querem sexo livre, façam-no mas assumas as consequências” (Com erros e tudo).

    Ora, é aqui que temos mais uma divergência, que é fundamental nesta questão: É que eu (e muitos que como eu votam SIM) não vejo e nunca verei um filho/a como “uma consequência”! Simples, não?

    Reply

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