Sim, em consciência

January 26, 2007 at 4:33 pm 10 comments

O aborto existe. E há muitos, muitos anos que mulheres, de todas as culturas, raças, credos, idades e estratos sócio-económicos a ele recorrem. Porém esta necessidade não é atendível em pé de igualdade. Há mulheres (no mundo) que abortam em segurança. E há 20 milhões de mulheres, por ano, que se sujeitam a abortos de alto risco.
70 mil morrem. Todos os anos.
Se o aborto é feito de forma clandestina as mulheres sujeitam-se a um sistema desregulado, que em muitos casos se traduz por abortos auto-induzidos, praticados sem as condições mínimas de segurança ou feitos sem conhecimentos técnicos que lhes garantam saúde. As sequelas mais frequentes são esterilidade, perfuração uterina, dor pélvica crónica e doença pélvica inflamatória. Tratar estas complicações sai muito mais caro ao Estado do que garantir que o aborto é praticado em condições de segurança.
Pelo contrário, se o aborto for feito de forma legal respeitam-se padrões de segurança e qualidade, impossíveis de controlar nos casos de aborto clandestino. A alteração da lei actual implica que as mulheres que optem por terminar a gravidez até às 10 semanas não serão estigmatizadas socialmente, não estarão condenadas a um silêncio que lhes agrava a culpa e as feridas emocionais e serão tratadas com o respeito devido a quem passa por um momento díficil.
Sobretudo, é preciso inserir a despenalização do aborto numa política alargada de planeamento familiar, acesso à contracepção e educação sexual. Medidas integradas que promovam uma sexualidade informada, consciente e responsável (como a educação sexual nas escolas, sem mais pruridos e demoras) são a única forma de combater a causa primeira da qualquer aborto – uma gravidez indesejada.

Portugal é único país da Europa onde há mulheres julgadas por abortar; onde as consultas de ginecologia podem estar sob escuta policial e onde as mulheres são detidas em mesas de operação e podem ser obrigadas pela polícia a ser mães. Existe na sociedade portuguesa um consenso ético muito claro sobre este assunto: mesmo no campo do Não, já ninguém defende publicamente esta vergonha.
Mas não basta defender que as mulheres não devem ser humilhadas e condenadas. A suspensão dos processos nada faz para combater o aborto clandestino, e por isso não faz nada pela vida.
E eu digo Sim à vida – em toda sua plenitude.
Por isso digo Sim a uma lei que respeite as convicções pessoais, éticas, religiosas e filosóficas de cada um. Digo sim a uma lei que parta do princípio de as mulheres têm capacidade para decidir em consciência. Haverá sempre mulheres que optarão por levar até ao fim uma gravidez que não planearam; e haverá sempre, também, outras que optarão, em consciência, por não o fazer. O que está em causa neste referendo é se devem por isso sujeitar-se a uma pena de prisão.
Votar Sim é respeitar a consciência de cada uma.

Mariana Avelãs, Lisboa

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Associação Portuguesa de Mulheres Portuguesas pronuncia-se pelo Sim Em Agenda

10 Comments Add your own

  • 1. Megafone  |  January 27, 2007 at 2:48 am

    Excelente texto!

    Reply
  • 2. ines  |  January 27, 2007 at 4:17 pm

    Realmente, é um texto bem construído, mas que oculta muitos factos… Passo a citar, que em qualquer dos abortos, CLANTESTINO ou LEGAL, as consequências são visíveis e independentemente das condições que a mulher tem no momento do aborto, os efeitos podem ser muito variados, no entanto todos eles prejudicais à saúde da mulher – mãe.
    Assim, pergunto-me se não será melhor não abortar?
    Irão com certeza dizer-me que as mulheres têm o poder da decisão. Poder de decisão? Um embrião ou feto não é um apêndice no corpo de uma mãe. Com o seu corpo, que faça o que quiser e bem entender, agora no corpo de um inocente que ainda não tem possibilidade de se defender, mas que um dia terá se não for abortado, nesse não tem direito nenhum. Pergunto-lhe se se a sua mãe lhe quiser tirar a vida que lhe pertence, você deixe? Pois, com certeza não deixa. E Porque? Porque tem poder de decisão. Tem liberdade de escolha. Tem o poder de se defender.
    Talvez lhe pergunte outra coisa. Porque chamar interrupção voluntária da gravidez? Quando há uma interrupção, por exemplo escolar, existem uns dias em que não há aulas. No entanto, essas recomeçam. Ora se se faz uma interrupção numa gravidez, essa nunca, mas nunca mais poderá voltar a existir.
    Outro aspecto muito importante não citado neste texto, é que quando uma mãe mata um filho, e por isso pratica um homicídio, é presente a um juiz e é condenada, dependendo da gravidade da situação. Mas porque é que quando uma mãe faz um aborto e por isso um homicídio não vá para a cadeia? Deveras, é preciso avaliar primeiro as situações que levaram a mãe a abortar. Mas se estas foram simplesmente porque tinha marcado umas ferias na neve, que não poderia adiar e já pagas, não será um motivo fútil? É de certeza. Isso é o que vai acontecer se o Sim ganhar. Cada mulher aborta porque não quer engordar… e os inocentes pagam por os erros desses monstros.

    Conclusão: O NÃO respeita os direitos de cada ser humano; dá o poder de decisão e de liberdade por igual, independentemente do seu tempo de vida.

    Reply
  • 3. jorge cachopo  |  January 28, 2007 at 1:00 am

    Ora é exactamente por isso que as mulheres 360.000 mulheres abortaram em portugal nos últimos anos: porque tinham medo de engordar e não podiam passar sem as férias da neve.
    Assim se vê o respeito que o Não tem pelas mulheres… não admira que as queiram ver presas.

    ps: como é que uma mulher adulta e um feto de 10 semanas poderiam, de qualquer modo, ter poder de decisão “por igual”?

    Reply
  • 4. Mariana Fernandes  |  January 28, 2007 at 1:08 am

    interromper:
    verbo transitivo
    1.cortar, impedir a continuidade de alguma actividade ou situação; suspender; pôr termo a;
    2.cortar a palavra a;

    verbo reflexo
    1.parar momentaneamente;
    2.não continuar;
    3.deixar de falar;

    (http:www.infopedia.pt)

    mais uma falsa questão do não.
    já percebemos que de linguística sabem muito pouco; mas queremos saber é se estão ou não empenhados a perpetuar o aborto clandestino em Portugal e a continuar com os julgamentos de mulheres.

    Reply
  • 5. ines  |  January 28, 2007 at 10:27 am

    Realmente é muito fácil diferenciar uma pessoa adulta de um embrião.
    Não me vão dizer que são um acumulado de células pois não? È que os do SIM adoram esse argumento. E sabem como combate-lo? E você e eu não o somos? Resposta: “Claro que somos, mas eles não são pessoas.”
    UM FETO COM 10 SEMANAS É UMA VIDA HUMANA. É verdade! E para aqueles que precisam de argumentos científicos, a ciência mostra que às 10 semanas, o pequeno ser já apresenta um desenvolvimento espantoso.
    “Nas primeiras 9 semanas, todas as características do corpo humano – membros, nervos, órgãos e músculos – já estão traçados. Só necessitam de mais tempo para se desenvolverem. Senão, vejamos algumas etapas do desenvolvimento do novo ser:
    Na 3ª semana inicia-se a formação do sistema nervoso, nomeadamente do cérebro e da espinal-medula (ainda sem qualquer protecção) e do coração, que sendo do tamanho de uma semente de papoila, começa a bater.
    Na 4ª semana, surge a abertura da boca e começam-se a formar os membros, braços e pernas, os olhos e os ouvidos internos.
    Na 5ª semana estão presentes as primeiras estruturas cerebrais. Possui esboços bem definidos do coração, do aparelho respiratório e do aparelho digestivo iniciando-se a formação do aparelho reprodutor.
    Na 7ª semana, o bebé já possui 500 milhões de células cerebrais e os seus lábios são sensíveis ao toque.
    Na 8ª semana, o embrião passa a chamar-se feto. Só por curiosidade, etimologicamente, a palavra “feto” é de origem latina que significa criança pequena. Por esta altura, o corpo está totalmente definido com os seus órgãos e sistemas já constituídos. O estômago produz o suco gástrico, o fígado fabrica células sanguíneas, o pâncreas cria a insulina. Já é capaz de engolir e de realizar alguns movimentos. Além disso, já são visíveis as suas impressões digitais que terá durante toda a sua vida.
    Um feto, uma criança pequena, às 10 semanas relaciona-se com a sua mãe que é o seu mundo, o seu abrigo, a sua esperança; comunica com ela, reconhece a sua voz e luta pela sua sobrevivência.”
    …Pois, tem tudo o que todos nos, seres humanos segundo vocês, temos… EXEPTO o poder de decisão e de liberdade, que vocês, EGOÍSTAS persistem em não deixar.

    Em reposta ao Sr.: Jorge Cachopo, pergunto-lhe se preferia que um irmão seu nasce-se ou se ele fosse abortado porque a sua mãe queria ir para a neve. Não acha um motivo totalmente FUTIL? ou então porque não queria engordar?
    Bem. Nos dois casos, não queria o bebé. Se não quer, tem que ter a RESPONSABILIDADE de não o “fazer”.
    E quanto a prisão das mulheres, isso pergunto-me se se a sua mãe o matasse não seria presente a um juiz e condenada dependente da situação. Qual é a diferença? Trata-se na mesma de um HOMICIDIO.

    Já em resposta à Sra. Mariana Fernandes, em primeiro lugar foi “interrupção” que eu perguntei. Em segundo, conforme o Dicionário da Língua Portuguesa 2004 da Porto Editora, Interrupção trata-se de um acto ou efeito de interromper, paragem, suspensão.
    Penso já lhe ter respondido e mostrado que afinal não somos nós os do NÃO que não compreendemos linguística, mas sim vocês os do SIM, que não percebem linguística e têm poucos conhecimentos de leitura.

    Reply
  • 6. Mariana Canotilho  |  January 29, 2007 at 3:01 pm

    Mariana,

    Para quando os testemunhos das “mães pelo sim” que vi sugerido noutras paragens? Acho importante mostrarmos de uma vez por todas a pessoas como a que escreveu o comentário acima que sabemos ler e escrever, conhecemos as alegrias e as dificuldades da maternidade e sabemos que ninguém faz um aborto só porque não quer engordar (uma gravidez implica muito mais do que simplesmente engordar).

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  • 7. ines  |  January 29, 2007 at 3:58 pm

    vão ser de certeza testemunhos de mulheres que estão ARREPENDIDAS e que se tivessem AJUDA por parte do estado, não o teriam feito. Se o vamos desperalizar e assim liberalizar, os arrependimentos ainda vão ser maiores. No entanto o arrependimento não salva a vida de um ser humano, INOCENTE.

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  • 8. Helena  |  January 29, 2007 at 4:26 pm

    Um aborto porque tem férias marcadas na neve?! Desculpe a franqueza, mas isso é a afirmação mais palerma que já vi por aqui… Quando uma amiga me disse que, aproximando-se o dia 11, começavam a chover ideias ridiculas do género “ah, isto vai ser tão banal que vão vender cartões de abortos, tipo faça 10 leve 2 de borla”. Pensei que ela estava a exagerar. afinal…

    Mariana,
    acho mesmo urgente criar esse movimento de mães pelo sim. Não sou mãe, mas já tenho ouvido bastante gente a dizer que só está pelo sim quem não sabe ou não quer saber o que é ter um filho. É preciso mudar essa ideia…

    Reply
  • 9. maria  |  February 8, 2007 at 6:14 pm

    Em primeiro lugar,queria dar os parabens a Ines…nos seus textos ela diz claramente o k é fazer um aborto..e o k voces chamam de FETO NAO É UM FETO É UM BEBEo nome é k muda,é pk se fosse assim kuando o bebe nasce,continuavamos a dizer …ohh k feto mas lindinho DAHH…PORKE NASCEU MUDOU O NOME…NAO CABE NA CABECA DE NINGUEM. EM 2 ,gosto de ver e ouvir dizer,o estado isto o estado akilo,o estado devia ajudar nao sei ke…bom continuando,para kem nao sabe os centros de saude tem consultas de planeamento familiar k exite com esse proposito,DAR de graca contracetivos orais, presevativos …enfim.so nao vai kem nao ker,kem nao se ker cuidar.portanto nao venham dizer k a culpa é do governo…porke meios para nao engravidar nos ja temos so as vezes eskecemos de os usar….e é por isso por uma falha nossa kem vai pagar é uma crianca…É isso estamos no seculo 21 hoje em dia so engravida kem ker ,,meios é k nao nos faltam,exite de tudo ate pensos para por no corpo ja exitem,,,e garanto k é eficaz…..ENFIM ACHO DE UMA GRANDE CRUELDADE MATAR UM SER HUMANO,É UMA VIDA,e engane-se kem diz k ate as dez semanas devesse fazer um aborto k é um feijao…uma celula.Eu as 6 semanas de gravidez ouvi pela primeira vez o meu BEBE e nunca mas vou eskecer esse som…voto 100 vezes se pudesse pelo NAO

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  • 10. Marta Trindade  |  February 8, 2007 at 7:00 pm

    mas porque é que o não tem tantos problemas com designações científicas? será por ter demonstrado nos últimos dias que confunde ciência com propaganda, rigor com demagogia?
    um feto é um bebé quando é amado, desejado, imaginado pela mãe. a maternidade não é um acto passivo da mulher. não é um castigo, uma vingança de falsos moralistas ou um imperativo biológico.
    uma mulher que tem consciência de que a sua capacidade de dar vida está muito para lá da de ser um mero hospedeiro de uma forma de vida que lhe é hostil é uma criminosa?
    respeitem os nossos filhos, por favor. são muito mais do que o vosso conceito abstracto e acusador de vida.

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