Sim!

January 25, 2007 at 4:15 pm 1 comment

Temos ouvido que o aborto é um assunto da consciência de cada um. Já houve quem disse até que não vai votar porque o assunto, como é de cada um, não lhe diz respeito. Nesta campanha devemos também ter tempo para reflectir que tipo de sociedade origina este comportamento, este individualismo suicidário, que do outro lado enfrenta um poderoso movimento colectivo, profundamente social, dirigido pela Igreja católica e os sectores mais reaccionários da sociedade.
Estamos profundamente sós, como nunca estivemos. A nossa vida é a nossa casa, o nosso pequeno núcleo familiar, o nosso trabalho. Abdicámos de ter uma vida pública, social. Dizemos bom dia ao vizinho, mas não passa disso, não o convidamos para jantar; saímos do trabalho para casa, não passamos pelo café para conversar. O nosso fim-de-semana não é passado com os amigos, mas em centros comerciais a fazer compras; o nosso serão não é a jogar às cartas com os amigos, mas em frente à televisão num acto em que só nós, sós, participamos. Os parques de crianças estão vazios, mas os centros comerciais estão repletos de crianças e as salas das casas têm um menino, só, em frente à televisão, rodeado de brinquedos de plástico made in China. Aceitámos, sem dar por isso, que o espaço público não é nosso. Aceitámos que não temos nada a ver com o vizinho do lado, com a vida do amigo, com o bem-estar do estranho porque aceitámos que somos só a nossa família, pequena, a nossa casa. Como diz um anúncio de um grande banco «A tua casa é a tua vida!».
Tomar posição no referendo do aborto faz parte do melhor de nós, que é a nossa vida como Homens, a parte da nossa vida dedicada a encontrarmo-nos com os outros, conversar, discutir, gerir conflitos. O turbilhão social enrolou-nos numa espuma em que aceitamos que invadam aquilo que de facto é privado e consentimos que aquilo que é público se torne no «assunto de cada um». Aceitamos as escutas telefónicas, o controle de todos os nossos movimentos pelo sistema bancário, pela via verde, pelo e-mail, mas recusamo-nos a juntar-nos aos outros para tomar posição sobre a violência doméstica, a criança maltratada, a família que aborta clandestinamente porque «é da consciência de cada um».
Para além deste individualismo patológico, quem não quer tomar posição fá-lo também porque foi ensinado, desde pequenino que «no meio está a virtude», «a vida não é branca nem preta», «nem sim, nem não, muito antes pelo contrário». Somos amestrados desde muito cedo para não encararmos um conflito de frente, para não afirmarmos uma escolha clara. Temos medo de tomar posição numa discussão e concluímos quase sempre que ambos tinham razão, ou que ambos perderam a razão. E isto é falso porque todas as grandes mudanças da vida dos homens foram feitas por aqueles que tomaram posição, que acharam que na vida há momentos, muitos, em que não existe cinzento. Em política não existe vazio: não votar ou votar Não significa tomar partido, claro, o partido de manter a lei que continua a enviar mulheres para a prisão. Quem no último referendo ficou em casa tomou uma posição e essa posição foi a de manter a lei.
Tenho uma boa e uma má notícia para dar-vos. A má é que no dia 11 de Fevereiro não vão poder responder nim. Todos nós vamos votar, mesmo os que ficarem em casa. A boa é que, mesmo que todos os dias nos tentem convencer do contrário, nós somos donos da nossa vida!

Raquel Varela, Lisboa

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Sabias que… Jovens Pelo Sim na rua

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  • 1. Sara Biscaia  |  January 25, 2007 at 7:25 pm

    Não poderia concordar mais! Mesmo as pessoas que gostam de se ficar pelo cinzento devem pensar que, se a vida é de cada um, cada um deve ter o direito à escolha de fazer com ela o que quer e o que acha melhor.
    Gostaria de saber o que pensam estas pessoas em relação à falta de possibilidades que certas pessoas têm para criar uma criança, pois não chega vê-la nascer, há que educá-la, prepará-la, dar-lhe a possibilidade de ser alguém e de poder mudar a sua vida e a daqueles que a rodeiam. Talvez pensem que, à bela maneira portuguesa, logo se vê! Pois não pode ser assim! São actos que têm consequências diversas e que podem influenciar, de muitas formas, o nosso país.
    Porque a liberdade de escolha é um direito, também neste caso deve ser aplicada.

    Sara Biscaia

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