Só posso votar Sim!

January 24, 2007 at 4:15 pm 13 comments

O meu nome é Sara. Tenho uma história que é a de tantas outras mulheres: gravidez na adolescência, apesar da contracepção e do acompanhamento ginecológico regular, aborto na solidão, escondida. O desfecho ocorreu no dia de Carnaval, não saí mascarada com os amigos como de costume. Nesse ano nem em mais nenhum, uma tristeza invade-me a cada ano. Nada de arrependimento: estou e estarei sempre convencida de que foi a melhor opção. Não sei se teria sido capaz de ser uma mãe responsável; o pai era apenas um namorado inconsequente, de quem algum tempo depois me vim a separar em guerra e com quem nunca mais quis falar. Terminei o ensino secundário e a faculdade, pude crescer e formar-me como pessoa adulta no tempo que achei certo. Ganhei autonomia financeira, estabilidade e felicidade relacional, e planeei uma gravidez muito desejada: hoje sou mãe e não podia estar mais feliz.
Pelo que conheço da experiência da maternidade, sei que consigo dar hoje muito mais de mim ao meu filho do que poderia ter dado aos 16. É uma questão de responsabilidade, de desejo e de sacrifício pessoal. Escolhi bem, apesar da dor e do estigma da criminalização.
Dos Carnavais perdidos lembro o medo e a solidão. O medo daquela semi-luz, daquela cama velha, do sangue, da polícia e da morte. O medo de não poder vir a ser mãe nunca mais. A solidão, essa, nasceu com a gravidez indesejada e só morreu quando, 15 anos depois, um teste de gravidez resultou positivo. Nunca nada me custou tanto como abortar!

Sara D., Braga

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Obscurantismo II Radar

13 Comments Add your own

  • 1. Artur Fonseca  |  January 24, 2007 at 8:05 pm

    Um depoimento muito bom que representa bem a necessidade de alterar a lei actual.

    Reply
  • 2. Vitor Carvalho  |  January 24, 2007 at 8:33 pm

    Olá! Eu ando à procura do projecto de lei do ps que foi votado para referendo na assembleia. Não o consigo encontrar pelo google, por acaso não me sabe dizer onde o posso encontrar? Obrigado

    Reply
  • 3. Ana Silva  |  January 24, 2007 at 8:56 pm

    “no tempo que achei certo”…

    Não posso estar mais de acordo!!

    Reply
  • 4. Ana Silva  |  January 24, 2007 at 9:06 pm

    “já bate um coração”??

    E os corações que batem no caixote do lixo, porque foram abandonados por pais / mães, inconscientes?? Não será um sofrimento muito maior?

    E os corações de tantas crianças que não não crianças, vítimas de abusos sexuais, por parte de quem supostamente os deviam proteger? Não serão os próprios padres que tanto condenam o aborto, os primeiros a abusarem sexualmente dessas crianças? Para quê tanta hipocrisia? Será que não existe uma consciencia real do mundo em que vivemos? Seria uma utopia completa pensar num mundo onde todas as crianças encontram um lar, onde todas elas encontram carinho, amor, conforto, e RESPEITO!! Infelizmente esse mundo não existe, e em vez de pensarmos em todas as crianças marginalizadas e desprezadas pelos próprios pais (e pela sociedade em que estão inseridas), estamos a pensar que dentro da barriga de uma mulher “bate um coração”? Essa criança ainda não nasceu, nem sente ainda na carne os abusos que provavelmente irá sofrer pelos “tutores” da instituição onde será inserido, porque a mãe, ou os senhores padres (entre outros), acham um crime cometer um aborto.

    Seria melhor ensinar a certas senhoras e senhores, que para evitar uma gravidez indesejada, o uso do preservativo é uma das muitas opções…porque muitas senhoras pensarão que o aborto é uma opção viável…infelizmente, são muitos os casos em que as mulheres não tomam cuidados para evitar uma gravidez, e fazem um, dois, três abortos!!…enfim…este é sem dúvida um assunto complexo, para o qual muitas pessoas não estão preparadas!

    Ana Silva

    Reply
  • 5. daniel  |  January 24, 2007 at 11:54 pm

    “no tempo que achei certo”…
    para azar de uma vida…

    Reply
  • 6. Marta Costa  |  January 25, 2007 at 12:03 am

    A questão que se põem aqui não é realmente o aborto, mas sim um questão de igualdade de direitos e indo mais longe um pouco, de liberdade…
    Porque a lei actual só permite o aborto para os ricos! Porque quem faz um aborto não o faz certamente de animo leve !Porque ninguém aborta porque numa bela manhã acordou e decidiu que não queria ter um filho! Porque abortar não se vai tornar um método contraceptivo, como defendem os falsos puritamos! Porque os abortos não vão acabar só por serem proibidos! Porque a dignidade é um direito é que assiste a todos! Por tudo isto é que eu defendo a despenilização do aborto, esta é a única maneira de salvar a integridade da democracia…só dando a oportunidade de abortar a quem o deseja fazer é que é possível garantir alguma liberdade para os cidadãos!
    Tenho 16 anos e por acaso não me vejo a fazer um aborto, no entanto acho que como eu tenho direito de não fazer, também quem quer deve poder faze-lo!

    Sara parabens pela tua coragem, imagino que com 16 anos não tenha disso nada fácil lidar com esta situação…espero sinceramente que agora esteja tudo bem e que mais ninguém tenha de vivenciar o mesmo.

    **jnh**

    Reply
  • 7. Mónica  |  January 25, 2007 at 5:57 pm

    Ó Sara…
    será que pensas a sério que o que te fez mal (o que te faz mal) é mesmo teres o peso por cima de uma lei que criminaliza quem faz um aborto em determinadas circunstâncias… posso-te apresentar muitas e muitas mulheres que o fizeram e pertencem a países onde há muito o aborto é permitido e que carregam a mágoa de que tu falas… não me venhas com essa de que é a lei… mas sim a lei do teu coração… do meu coração que me faz sofrer pelas mesmas coisas… sabes porque sou do Não depois de muito chorar… porque o que matamos são os nossos próprios filhos e por mais que nos digam que não são filhos e que foi na gora certa… a verdade é que em todas as horas são os nossos filhos! E isso dói! Só por isso!
    Quanto a quem diz que nem sempre o preservativo chega e assim, bem vindo o aborto, é mesmo porque é homem e não percebe nada disto! Nem sequer merece consideração este assunto!
    Mónica

    Reply
  • 8. barros  |  January 26, 2007 at 12:30 am

    onde tinhas a cabeça ?
    no volante? nunca ouvis-te falar em metodos contraceptivos?
    SIM Á VIDA

    Reply
  • 9. daniel  |  January 26, 2007 at 9:35 am

    Estou solidário contigo Mónica.

    Reply
  • 10. Ana  |  January 26, 2007 at 9:58 am

    De facto para muitos é muito mais cómodo falar de boca cheia! Não existem métodos contraceptivos 100% seguros! Os movimentos pelo “Sim à vida” não se responsabilizam pelas criancinhas que vêm ao mundo! Pois não? Adoptam-nas? Sustentam-nas? Dão o carinho necessário?
    Torna-se demasiado fácil presumir que são coisas que só acontecem na casa do vizinho… Não me considero uma pessoa capaz de realizar um aborto, mas porque não hei de permitir que alguém em necessidade o faça? Não quero mais notícias de crianças encontradas no fundo de um rio, de um caixote do lixo, abusadas em orfanatos ou lares… chega de sofrimento e de hipocrisia! Cada um sabe de si mas todos devemos pensar nos outros! Quem é contra a despenalização que não aborte ou que ajude todos aqueles que o pretendem fazer por necessidade! NECESSIDADE porque um aborto não é um prazer…

    Reply
  • 11. daniel  |  January 26, 2007 at 12:41 pm

    Esse alguem “em necessidade” seria quem? e em que tipo de necessidades? Quais os critérios? Até onde vai a responsabilidade/irresponsabilidade da mulher que aborta? Em que situações deverá haver atenuantes, e, no limite, absolvição da culpa? E mais, pode haver situações em que nem sequer a tribunal deve ir ( a lei já prevê situações desse tipo para certos tipos de crime e em determinadas circunstâncias). Agora, retirar toda a responsabilidade à mulher, por princípio está errado. Tomemos o seguinte exemplo:
    Uma desgraçada, faminta, sem recursos nem apoios de ninguem, com 3 filhos e sem casa onde morar, num acto de desespero assalta um supermercado para roubar alguma comida por uma questão de pura sobrevivência sua e da sua família, e face à resistência do dono, reage ferindo-o. Não deve ser presente a Tribunal para julgamento por ter causado prejuízo físico ao dono?
    O Tribunal não deverá avaliar a extensão da sua culpa e aplicar a respectiva pena tendo em conta as devidas atenuantes da sua situação económica, social e familiar?
    Se sim, então como reagir perante a mulher que, face a uma gravidez acidental, rejeitada pela família e sem recursos económicos próprios ou qualquer outro tipo de apoio, MATA (não apenas fere) o seu filho também num acto de desespero?

    Reply
  • 12. ana patricia  |  January 29, 2007 at 11:19 pm

    ora bem sara isto é assim… eu tenho 20 anos, e engravidei aos 15 anos e tive o meu filho aos 16 eu sei k custa muito crescer depressa nao pudermos curtir mas de uma coisa nao me arependo.. de ter tido o meu filho lindo e nasceu saudavel e bem graças a deus sei k na altura era infantil mas kando vi o teste creci muito rapido pk tinha acontecido e era realidade nao pensei e aconteceu a consequencia dos meus actos e nao foi por ixo k abortei tive k crescer e ser responsavel pelo k tinha acontecido pk me aconteceu mesmo e nao é historia nenhuma eu tb curti e ainda curto nao como dantes mas um pouco sim eu nao estou nem contra nem a favor do aborto apenas KERO K AS MULHERES DE HOJE ASSUMAM OS SEUS ACTOS se engravidam é pk kerem do genero aquelas raparigas k vao com uns e com outros sempre k querem deviam assumir o k fazem agora aquelas raparigas carenciadas ya ixo nao pk uma criança tem k vir pa viver e nao para sobreviver….

    Reply
  • 13. toupeirinha  |  February 2, 2007 at 3:33 pm

    Rússia: Número de abortos é superior aos nascimentos

    O número de abortos legais na Rússia ultrapassa o número de nascimentos, num país com uma das mais liberais legislações sobre a interrupção voluntária da gravidez e que foi o primeiro a legalizar a prática, em 1924.

    Estatísticas de 2005 indicam que o número de abortos em instituições médicas legais se situou entre os 1,7 e os 1,8 milhões. No mesmo ano registaram-se entre 1,4 e 1,5 milhões novos nascimentos.

    Segundo a Lei sobre a Protecção da Saúde dos Cidadãos de 22 de Julho de 1993, praticamente não existem barreiras à realização de abortos na Rússia.

    O aborto pode realizar-se até às 12 semanas de gravidez a pedido da mãe, podendo esse prazo prolongar-se até às 22 semanas por «razões sociais», ou seja: «invalidez do marido, caso a mãe ou o pai se encontre na prisão, desemprego, divórcio durante a gravidez, falta de habitação».

    A lei permite ainda a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) a «mulheres com estatuto de refugiada, mães solteiras ou com mais de três filhos» ou «com meios de subsistência inferiores ao mínimo previsto por lei».

    Esse prazo poderá ser dilatado em caso de «má formação do feto» e «violação».

    «Tendo em conta a facilidade com que no país se compra uma declaração das autoridades, não é difícil imaginar que basta o desejo da mulher ou do marido para que ela faça um aborto», declarou à agência Lusa uma enfermeira de um clínica de ginecologia de Moscovo.

    Os dados falam por si. Numa altura em que a Rússia passa por uma grave crise demográfica (a sua população diminui, anualmente, em cerca de um milhão de habitantes), as autoridades não conseguem travar o aumento do número de interrupções voluntárias da gravidez, distanciando-se cada vez mais do número de nascimentos.

    A proporção entre número de abortos e de novos nascimentos era ainda maior nos últimos anos da União Soviética.

    As estatísticas de 1988 indicam que o número de abortos era superior ao de nascimentos à razão de 166 abortos para cada 100 nascimentos.

    Em 1992 a relação aumentou (225 abortos para 100 nascimentos).

    Os especialistas atribuem tão grande número de abortos principalmente ao baixo nível de vida da população, mas chamam também a atenção para a falta de planeamento familiar, factores herdados da era comunista.

    A Rússia foi o primeiro país do mundo a legalizar o aborto em 1924.

    Por iniciativa do dirigente comunista Vladimir Lenine, essa medida foi tomada no âmbito da política de «emancipação da mulher».

    O seu sucessor, José Estaline, proibiu a realização do aborto a pretexto da «protecção da saúde das mulheres soviéticas», proibição que durou até 1955.

    Na realidade, a proibição da IVG visava aumentar o número de nascimentos a fim de compensar os milhões de soviéticos que foram vítimas da fome, guerra e campos de concentração, durante a II Guerra Mundial.

    As autoridades soviéticas proibiram desde 1934 a publicação das estatísticas sobre o número de abortos mas as autoridades de saúde russas admitem que a União Soviética ocupava o primeiro lugar do mundo.

    «Em 1986 foram oficialmente realizados 7.116.000 abortos na URSS, tendo esse número subido para 7.265.000 em 1988», disse à Lusa Irina Siluanova, docente da Universidade Médica Estatal da Rússia.

    A mesma fonte explicou que o elevado número de abortos nesses anos ficou a dever-se ao facto de a pílula ter sido proibida e a má qualidade dos preservativos, quando existiam.

    Diário Digital / Lusa

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