Archive for January, 2007

Factos

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January 31, 2007 at 10:34 pm Leave a comment

Mães pelo Sim

Vou votar SIM no referendo do próximo dia 11 de Fevereiro. Votei da mesma forma há 9 anos, mas hoje faço-o com mais certezas. A diferença, de então para cá, é que agora sou mãe. 
O meu filho veio sem ser esperado. O meu primeiro pensamento, ao olhar para as riscas cor-de-rosa, não foi de felicidade imensa, foi de culpa, por achar que não tinha criado as melhores condições possíveis para trazer uma criança à nossa vida. Porque ser mãe é isso, um compromisso para a vida. Muda-nos, muda a nossa forma de pensar, de estar, de ver o mundo e os outros. Ser mãe tem consequências enormes, em tudo, na gestão de tempo e de dinheiro, na relação com as outras pessoas, no trabalho. A escala de prioridades altera-se, as escolhas passam a ter de ser mais ponderadas, porque as consequências não são só para nós.
Ser mãe não é fácil. Gerar um filho e pari-lo implica  mudanças enormes no corpo e na cabeça de uma mulher. Obriga a que ela se reconstrua enquanto pessoa.
Conheço algumas mulheres que abortaram. E não foram as pobres coitadas de quem se costuma falar. Foram apenas mulheres que não se sentiram capazes, por várias razões, de assumir, naquele momento das suas vidas, a gigantesca tarefa que é criar e educar um ser humano. Não sei se, no lugar de cada uma delas, teria tomado a mesma decisão. Gosto de acreditar que seria diferente, mas não sei. E, acima de tudo, sinto que não posso julgá-las. Essa certeza chegou-me com a maternidade, com o conhecimento de que tudo isto é demasiado complexo e demasiado difícil para ser imposto.
O aborto já existe. Toda esta discussão nem sequer é um problema real para a maioria das mulheres da classe média, como eu, que têm habitualmente dinheiro suficiente para a viagem a Espanha ou, melhor ainda, um médico amigo na clínica do local onde moram. A criminalização do aborto é um problema para as mulheres mais pobres e para as mais jovens, a quem a pobreza e a falta de informação roubam a liberdade de escolha. E que cometem, tantas vezes, actos desesperados que põem as suas vidas em risco.
A despenalização do aborto permitirá, se trabalharmos nesse sentido, a redução do número de abortos realizados e o combate ao aborto clandestino, nos consultórios e nos vãos de escada, e ao aborto caseiro, com comprimidos ilegais. A despenalização do aborto permitirá que as mulheres que abortarem legalmente sejam, depois, encaminhadas para consultas de planeamento familiar, para que não tenham que repetir uma experiência que nunca é fácil. A despenalização do aborto permitirá também mostrar outros caminhos a todas as mulheres que não tenham a certeza da sua decisão. Dar-lhes apoio, aconselhamento. Permitirá devolver a dignidade às mulheres e impedir a vergonha que têm sido os julgamentos dos últimos anos.
Sim, devemos apoiar a maternidade e a paternidade. Devemos dar tudo o que for necessário para que qualquer mulher que queira ter o seu filho o possa fazer. Devemos criar condições para que as pessoas tenham mais filhos, todos os que desejarem. Se me perguntarem, sugiro menos discursos e mais abono de família, mais creches sem custos exorbitantes e horários de trabalho compatíveis com a vida familiar. Mas isso nada tem a ver com a despenalização do aborto.
A despenalização do aborto é só isso. O fim de uma pena de prisão para ma escolha da mulher (e é óbvio que a escolha é sempre, em última instância, dela), quando o faça até determinado prazo. Não é um incentivo público ao aborto. É o respeito do Estado por uma decisão pessoal, numa matéria em que não há consenso e em que as crenças de cada um têm um peso enorme.
O meu filho veio sem ser esperado. Veio numa fase de inconstância e incerteza na nossa vida. Mas foi uma escolha. Foi desejado, sonhado, amado quando ainda não era uma pessoa. Teve a acolhê-lo colo e sorrisos. Será sempre colocado em primeiro lugar. Todos os meninos do mundo deviam ter o direito de nascer assim.
 
Mariana Canotilho, 27 anos.
Mãe do P., (quase, quase) 2 anos.

January 31, 2007 at 9:36 pm 1 comment

Mães (e pais) pelo Sim

A partir de hoje temos uma nova categoria: Mães (e pais) pelo sim.
Surge porque não aceitamos que se faça da maternidade uma sentença e que se diga por aí que este é um referendo sobre outra coisa que não a despenalização do aborto até às 10 semanas.
E porque muitos de nós são mães e pais. Cuja opinião não vale nem menos nem mais do que a de quem não é. Os nossos filhos não são troféus. Nem castigos.

January 31, 2007 at 9:31 pm 1 comment

Pais por acidente, castigo ou ignorância? Não, obrigada.

paula.jpg

January 31, 2007 at 4:08 pm 1 comment

Lançamento do DVD – Uma questão de mulheres

MOVIMENTO CIDADANIA E RESPONSABILIDADE PELO SIM / MIDAS FILMES

Lançamento DVD do filme
UMA QUESTÃO DE MULHERES

Quinta, 1-Fev, 18h
Livraria Ler Devagar (Rua da Rosa, 145), Lisboa

Com a presença de Inês Pedrosa (jornalista e escritora) e Rita Blanco (actriz)

UMA QUESTÃO DE MULHERES é uma história passada na França sob ocupação alemã há mais de 60 anos, mas é sobretudo uma história que, tantos anos depois, continua a ter estranhas ressonâncias entre nós.
É a história da última mulher condenada à morte – e guilhotinada – em França. O seu crime? Ajudar uma vizinha a abortar e depois, porque muitas mulheres a procuraram, fazer disso um negócio que, num tempo de guerra e privação, lhe proporcionou uma vida melhor. Até que, a denúncia do seu próprio marido, a leva à prisão e a ser julgada e condenada por um tribunal especial. Condenada à morte e guilhotinada.

Não é evidentemente isso – a condenação à morte – o que está em causa entre nós.
Mas está em causa que ainda hoje em Portugal as mulheres sejam empurradas para a clandestinidade, os tribunais e a ameaça de prisão.
E é por isso que passados mais de 60 anos sobre estes acontecimentos, este filme com quase 20 anos continua a ser entre nós da maior actualidade.
Por isso a sua edição em DVD.

January 31, 2007 at 4:07 pm Leave a comment

Argumentos

Estranho seria se todas as pessoas que frequentam o meu blog A Ervilha Cor de Rosa estivessem tão decididas como eu a votar Sim no referendo. Algumas manifestaram-se nos comentários, outras não. Creio que poucas delas serão mães, como creio que poucas mães acharão desejável que o Estado puna quem já tem em si a mágoa de não ter podido trazer ao mundo um (ou mais um) filho. Para elas, este post:

Não vamos votar uma questão de consciência.
O que vamos votar é a alteração de uma lei. A consciência é de cada um e age idealmente a montante da concepção, levando-nos a preveni- la. A consciência obriga-nos a avaliar a capacidade que temos ou não para criar uma criança e transformá-la num adulto. A consciência atormenta a mulher que, olhando incrédula para as duas barrinhas no teste de gravidez, hesita e, não acreditem se vos disserem que assim não é, hesitará sempre antes de se submeter a uma IVG, seja ela legal ou não. O que se decide dia 11 não é o se essa mulher vai ou não submeter-se a uma IVG (pois isso sim é do foro da sua consciência). É «apenas» o onde e como essa IVG será feita.

Não vamos votar um ideal.
Pela vida somos todos. Pela contracepção e pela educação sexual infelizmente não somos todos (ou somo-lo apenas da boca para fora) porque se fôssemos não estaríamos a discutir este problema. Quantos de nós podem dizer que nunca, mesmo mesmo nunca, correram o risco de engravidar (ou de contrair uma DST)? Quantas de nós, se tivessem engravidado dessa vez (ou da primeira dessas vezes) teriam estrutura (emocional, familiar) para levar avante essa gravidez e, mais importante, para criar – mas criar bem – esse filho enquanto acabávamos ao mesmo tempo de nos criar a nós próprias? Poucas, muito poucas. Mais uma vez, pela vida somos todos.

A lei que temos não serve.
Ter uma lei que não sai do papel era ridículo se não fosse tão grave. Com a lei actual a mulher em princípio não será presa se praticar uma IVG ilegal (sejam quais forem as condições em que ela
decorra) mas é humilhada pelos funcionários do Sistema Nacional de Saúde se quiser abortar legalmente um feto com mal-formações graves (conheço casos). Com a lei actual uma mulher que perdeu uma gravidez desejada corre o risco de ser maltradada no hospital por apresentar os mesmos sintomas de quem lá foi parar por complicações depois de uma IVG clandestina. A lei que temos varre para debaixo do tapete um tema incómodo. Faz vista grossa, permite fingir que o assunto não existe.

Apenas o Sim altera a realidade.
Que mudança trouxe a vitória do Não há quase dez anos? Nenhuma. Só se a lei for alterada se conhecerá melhor a dimensão real da prática do aborto no nosso país. Só assim, com o assunto bem à vista de todos, será inevitável para quem nos governa fazer da prevenção (educação sexual, contracepção acessível e gratuita) uma prioridade.

E a nós cabe-nos educar os nossos filhos para uma sexualidade consciente e responsável, de forma a tornar o aborto (legal ou ilegal) uma prática do passado.

Rosa Pomar, Mandatária dos Jovens Pelo Sim

January 31, 2007 at 2:46 pm Leave a comment

Sabias que…

O teu voto é fundamental. O regime do referendo em Portugal exige que para a votação ser vinculativa, isto é, para que a decisão tomada nas urnas seja obrigatoriamente seguida, pelo menos 50% dos eleitores têm de votar.
Neste referendo, um voto em branco, uma abstenção, é, antes de mais, um incentivo para que tudo fique na mesma. Se achas que já é tempo de deixar de lidar com a questão do aborto nos bancos dos tribunais e de acabar com a vergonha e o perigo do aborto clandestino, apenas o voto no Sim é útil.

January 31, 2007 at 1:37 pm Leave a comment

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